Sexta-feira, Julho 07, 2006

Como era grande!

O post de hoje é um projeto que venho adiando desde o final do ano passado, quando presenciei pela primeira vez a rotina turística do Píer Mauá, pois, desde o início do ano passado, trabalho literalmente de frente para o Porto do Rio, acompanhando sua rotina diária. Aliás, a vista da minha janela do trabalho é um show. Pelo menos isso. Fico de cara para a Baía de Guanabara, de frente para a Ilha das Cobras, para a ponte Rio-Niterói e para o Píer Mauá. As diferentes cores do mar ao longo do ano são um espetáculo à parte.


Vista do meu trabalho.


O turismo em alto-mar entrou definitivamente na rotina dos brasileiros e na rota dos cariocas. Durante o verão, navios e transatlânticos abarrotados de turistas nacionais e estrangeiros atracam e partem diariamente do Porto do Rio. O destino, na maioria das vezes, é o próprio litoral brasileiro, com eventuais escalas em Buenos Aires e Punta del Este.

E eu fico vendo o entra e sai desses inúmeros navios e turistas. É muito engraçado. Além de ter os navios literalmente em frente à minha janela, também acompanho um pouco da rotina desses turistas, em especial dos estrangeiros, que lotam os bares e night clubs de décima categoria da Praça Mauá, localizada bem em frente ao porto, de onde chega e parte meu ônibus para casa. É bizarro muitas vezes ver branquelos turistas europeus sentados a uma enferrujada mesa de metal de um boteco de quinta, lendo jornal ou, na pior das hipóteses, flertando com profissionais locais do sexo. Graças ao porto, somente na Praça Mauá é possível ver uma boate funcionando a pleno vapor às 10 horas da manhã de uma terça-feira, literalmente em frente a um posto da Polícia Federal.

Mas o post não é para falar dos turistas nem das mães dos jogadores da seleção brasileira, mas dos navios de cruzeiro de lazer, parte importante do comércio turístico internacional. Eu sempre tive a curiosidade de fazer um cruzeiro numa dessas mega embarcações. Os cruzeiros marítimos sempre foram ícones de um estilo de vida luxuoso, reservado a poucos privilegiados. Uma viagem longa, durando vários dias, deixa de ser uma desvantagem quando se passa a bordo de um belo navio, repleto de mordomias, como comida de primeira, bebidas da melhor qualidade e opções de lazer de alto nível. A gente logo lembra dos ambientes luxuosos do Titanic. Com todos esses atrativos, viajar em um transatlântico parece ser divertido. E a popularização dos cruzeiros na costa brasileira permitiu que a classe média tivesse acesso a essa opção de turismo antes muito exclusiva. O dólar em baixa e a economia estabilizada também facilitaram para que cada vez mais pessoas pudessem desfrutar de alguns dias de mordomia em alto mar. Mas, segundo alguns, o luxo e o conforto estão muito mais na aparência do que na essência dos serviços e das opções disponíveis em um navio de cruzeiro. Mesmo assim, tenho a curiosidade de fazer uma viagem dessas.

Os navios de cruzeiro surgiram com as longas travessias em navios – a única maneira de atravessar o Atlântico no passado. As empresas de navegação, como a White Star Line, construtora do célebre Titanic, começaram a investir seriamente na decoração do interior e no entretenimento a bordo, na tentativa de derrotar a concorrência. Hoje, os turistas podem conhecer grande parte do mundo em confortáveis transatlânticos, e a Antártida se tornou um destino interessante para os que procuram uma experiência diferente nas férias, já que o continente só pode ser observado de um navio.

A época dourada dos transatlânticos foi os anos 30 do século XX. Terminada a Segunda Guerra, em 1945, eles foram paulatinamente sendo substituídos pelos aviões nas rotas intercontinentais. Voar é bem mais rápido e as companhias aéreas também investiram no glamour e no serviço de bordo. Mas há quem prefira ficar seis dias a bordo de um gigantesco hotel móvel a ficar várias horas amarrado a uma poltrona desconfortável. A bordo de um navio não se pode apenas caminhar com facilidade. Há várias opções de restaurante, de lazer e de compras. Há piscinas, academias de ginástica, bibliotecas, shows em auditórios e, no caso do transatlântico Queen Mary 2, até mesmo um planetário – o primeiro embarcado em um navio.

O mercado dos cruzeiros marítimos é um dos que mais cresce na indústria do entretenimento. E o litoral brasileiro não poderia ficar de fora do circuito dos luxuosos navios de cruzeiros. Vários deles circulam pelo nosso país e, claro, aportam em frente a minha janela: o Island Escape, o Saga Rose, o MSC Armonia, o Funchal, o MSC Rhapsody, o Mistral, o Blue Dream, o Costa Romântica, o Costa Clássica entre outros. Eles cortam o litoral do Brasil e percorrem paraísos de Fernando de Noronha a Porto Belo, em Santa Catarina. Inclusive, os cruzeiros no litoral brasileiro são comparáveis com os melhores do mundo.


Clique aqui para ver em maior resolução alguns navios que aportaram sob minha janela.


Os navios de cruzeiro estão entre os maiores barcos em operação, e os modelos maiores podem transportar milhares de passageiros. De todos esses que já vi aportar por aqui, o mais incrível deles é o Queen Mary 2, que passou aqui pelo Rio em janeiro deste ano, antes de seguir para Buenos Aires. Na época, ele era simplesmente o maior navio de passageiros do mundo. E nem cabia na janela, como vocês podem ver na foto abaixo.


Clique aqui para ver em maior resolução.


O Queen Mary 2 foi, até o mês passado, o maior navio de passageiros do mundo. Construído para fazer a mesma rota do Titanic (Nova Iorque – Reino Unido), o QM2 é também o navio de passageiros mais caro da história. Ao custo de 800 milhões de dólares, os proprietários da clássica empresa inglesa Cunard, proprietária da extinta White Star Line fundada em 1840 e proprietária do Titanic, esperam que em cinco anos o investimento seja pago com o faturamento das viagens.

Para se ter uma idéia do tamanho da criança, o Queen Mary 2 possui 33 elevadores, 5 piscinas, 10 restaurantes, 14 bares, planetário em 345 metros de comprimento e 72 metros de altura (equivalente a um prédio de 23 andares) pesando 150 mil toneladas. É mais que um navio: ele foi construído para uma jornada de 40 anos de navegação. O QM2 possui ainda 2 mil banheiros, 8 mil telefones, 5 mil degraus de escada, 1.100 portas corta-fogo, 8.350 extintores automáticos, 80 mil pontos de luz. No seu interior está o maior spa já construído a bordo de um navio, com 1.860 metros e 24 salas de tratamento e um fitness center com equipamentos de última geração. Internamente o Queen Mary 2 “carrega” um teatro com 1.094 poltronas com palco que eleva, e uma visão de 360°, além de suítes de 18 a 210 metros quadrados.

A era dos grandes transatlânticos teve um renascimento de peso. O contraste entre o glamour e a tragédia que envolveu o transatlântico Titanic em 1912 tem fascinado milhões de pessoas. Aquele que era o maior navio do mundo, considerado insubmergível, foi ao fundo depois de chocar-se com um iceberg. E o Queen Mary 2, bem maior que o Titanic, foi construído para explorar a mesma rota do seu predecessor azarado, o percurso Reino Unido – Estados Unidos. O navio faz percurso Southampton – Nova York em seis dias.

O orgulho desmedido dos construtores e proprietários do Titanic afundou rapidamente o navio. Os projetistas do Queen Mary 2 não se esqueceram disso. Segundo o engenheiro naval britânico Stephen Payne, o quebra-ondas em forma de “V” na proa do transatlântico parte as ondas que varrem o navio. Mas, como desafiar a natureza é algo sempre arriscado, no mastro do navio foram afixadas duas moedas: uma britânica e outra francesa – representando os proprietários e os fabricantes. Trata-se de um antigo costume grego para aplacar a ira do deus dos mares, Poseidon (ou Netuno para os romanos).

O QM2, apesar de ainda ser o navio de passageiros mais caro da história, perdeu o posto de maior navio de passageiros do mundo no mês passado, quando ficou pronto o Freedom of the Seas (Liberdade dos Mares). Ao custo de 720 milhões de dólares, o Freedom possui 339 metros de comprimento e 56 de largura, pesa 160 mil toneladas e transporta até 4.375 passageiros, com as cabines lotadas, que são servidos pelos 1.360 tripulantes. Seus 15 pavimentos comportam vários bares, restaurantes, um parque aquático e cabines que chegam a alojar 14 pessoas. A viagem inaugural, rumo às Caraíbas, aconteceu no mês passado.

O Freedom of the Seas foi construído em Hamburgo, Alemanha. Alpinismo, surfe, corrida e até boxe. Parece um resort, mas em alto-mar. Essas atrações inusitadas ajudam a fazer o charme do novo gigante dos mares. Esse supertransatlântico de luxo está fazendo cruzeiros pelo Caribe. Desde a inauguração, bateu o Queen Mary 2 em tamanho. Ele não é tão comprido, mas ganha em tonelagem. O Freedom supera até os porta-aviões da classe Nimitz, os maiores da Marinha americana.

A bordo, oferece algumas novidades. Seu principal diferencial: uma piscina para prática de surfe. A velocidade máxima prevista é de 40 quilômetros por hora. Mas quem tem pressa? Na área interna do navio há a Royal Promenade, uma rua coberta de 135 metros, que tem bares, lojas e cafés. Entre as atrações, há ainda cassino, boate, um teatro e um rinque de patinação no gelo. E o valor dos pacotes de uma semana nem é tão alto, considerando a média dos navios de luxo. Começa em US$ 950 por pessoa em cabine dupla. A suíte mais cara, dependendo da data, passa dos US$ 3.200.

Veja abaixo a ficha completa desses dois gigantes:

Queen Mary 2:

44,8 metros mais longo que a torre Eiffel. E 36 ônibus de Londres de comprimento.
Anúncio do projeto: 8 de junho de 1998;
Custo: 800 milhões de dólares;
Lançamento ao mar: 21 de março de 2003;
Primeira viagem: 12 de janeiro de 2004;
Propulsão: quatro motores a diesel e duas turbinas a gás;
Deslocamento: 151.400 ton;
Comprimento: 345 m;
Largura: 41,15 m;
Calado: 9,95 m;
Total de conveses: 17;
Velocidade máxima: 30 nós (55,5 km/h);
Passageiros: normal 2.620; pode levar até 3.090;
Tripulação: 1.253;
Cabines: 1.310;
Auditório: 1.105 pessoas;
Elevadores: 22.

Freedom of the Seas:

Custo: 720 milhões de dólares;
Peso: 160 mil toneladas (igual a mais que 80 mil carros ou 32 mil elefantes);
Altura: 72 m; são 63 m a partir da linha d´água, igual a 2 Estátuas da Liberdade;
Comprimento: 339 m – ou 100 m maior que o estádio do Maracanã.
Largura: 56 m, ou duas vezes a medida da envergadura dos braços do Cristo Redentor;
Velocidade: 21,6 nós;
Capacidade: 4.375 hóspedes;
Cabines: 1.817;
Piscina para surf;
Jacuzzis projetadas para fora do navio, a 34 metros do mar;
Ringue profissional de boxe;
Pista de patinação no gelo;
Parede de escalada a 61 m acima do mar;
Na piscina do Solarium, um espaço para adultos, há música sub-aquática;
Biblioteca com 3.600 volumes;
Teatro para 1.350 pessoas, cassino, bares, academia, spa, pista de cooper etc;
Todas as cabines têm tvs de tela plana. A maior suíte é a Presidential Family Suite, que pode acomodar até 14 pessoas. São 113 metros quadrados, 4 quartos, 4 banheiros, 2 banheiras de hidromassagem, sala de jantar, TV de plasma de 42 polegadas, 5 TVs de tela plana, área externa (sacada) de 75 metros quadrados com hidromassagem, bar e mesa de jantar ao ar livre.

Escrito por .-=Ansi=-.

9 Comments:

  • Respondi seu email, valeu pela dica! Recebi também o email falando sobre a idéia do quadrinho, vou responder ainda hoje.

    Sobre as embarcações... Um espetáculo bixo. Deve ser muito foda participar de um cruzeiro.

    Aparece no MSN!

    obs.: Amanhã vou ver Os-Sem-Floresta no Botafogo Praia Shopping, às 19h40m, legendado. Se você se animar me dá um toque.

    By Anonymous Brunno Vieira, at 10:42 AM  

  • Eu trabalhei no RB1 e a minha vista era exatamente a do Sao Bento e a entrada dos navios na praça Mauá. Era um show a parte todos os dias.

    By Blogger Hiro, at 3:47 PM  

  • E quanto será que custa passear num navio desses?

    By Blogger Nikita-El-Amar, at 1:12 AM  

  • E eu só vejo o mar por foto.
    E, nunca "andei" de navio.
    :(
    Não num desse tamanho.
    :((((((((((((((((((((((((((((

    By Anonymous Lidiane, at 9:48 PM  

  • Niki, o preço depende para onde vc quer ir e por quanto tempo. Exemplo: Cruzeiro pelo Brasil, por 4 noites, US$ 470 por cabeça.

    Beijos informativos!

    By Blogger Asdrúbol, O Sábio da Montanha, at 12:30 AM  

  • Very nice site! » » »

    By Anonymous Anônimo, at 7:11 AM  

  • By Anonymous Anônimo, at 6:35 PM  

  • That's a great story. Waiting for more. »

    By Anonymous Anônimo, at 3:37 AM  

  • Corrigindo uma informação!
    O Freedom of the Seas foi construido nos estaleiros da auto-europa, em Turku, Finlândia. E não em hamburgo, Alemanha como está escrito no texto.
    ^^

    By Anonymous Anônimo, at 4:29 PM  

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